Impasse com navios iranianos no Paraná pode ter ‘impacto desnecessário’

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O impasse com os dois navios iranianos que aguardam abastecimento no porto de Paranaguá, no Paraná, para transportar 100 mil toneladas de milho para o país islâmico pode comprometer relações comerciais que são “francamente favoráveis” ao Brasil, e impor perdas ao agronegócio brasileiro, dizem analistas.

Desde o início de junho, os navios Bavand e Termeh aguardam o abastecimento na área de fundeio do porto paranaense, o primeiro já carregado com 48 mil toneladas de milho, aguardando para fazer o transporte até o país islâmico.

Mas a Petrobras se negou a fornecer o combustível, alegando que ela própria poderia sofrer represálias americanas porque os navios são alvo de sanções dos Estados Unidos contra o Irã, e estão na lista negra do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos – embora o milho, sendo um alimento, não esteja sujeito a sanções.

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Para especialistas consultados pela BBC News Brasil, o impasse reflete o desejo do governo brasileiro de sinalizar apoio a Donald Trump e estreitar as relações com os EUA, indicando que aceita as sanções que o país norte-americano vem impondo unilateralmente ao Irã – mas sem calcular os efeitos colaterais.

“O Brasil não permitia que suas relações comerciais com países fossem influenciadas por decisões tomadas por terceiros, e agora estamos vendo exatamente isso, concordando com as sanções impostas pelos EUA contra o Irã”, diz Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo.

Para Stuenkel, a situação pode ter um “impacto desnecessário” sobre a economia brasileira que não está não sendo calculado pelo governo. “Estamos falando de números altos, de uma relação superavitária. O Brasil não pode se dar ao luxo de tomar uma atitude assim no meio da situação econômica atual, que é muito precária”, considera.

O Irã é hoje um importante importador de grãos e carne do Brasil. A balança comercial que pende fortemente para o Brasil: em 2018, o país vendeu US$ 2,26 bilhões para o país do Golfo Pérsico, principalmente milho, soja e carne. Enquanto isso, importou US$ 39,9 milhões, a maioria em tapetes persas, pistache e porcelana. O superávit foi de US$ 2,22 bilhões.

Impasse no mar
Os navios Bavand e Termeh esperam o reabastecimento no porto de Paranaguá desde o início de junho, estacionados em frente ao cais, a cerca de 1 km um do outro. Eles foram contratados pela empresa brasileira Eleva Química Ltda. e chegaram ao Brasil trazendo ureia do Irã, matéria-prima usada como fertilizante agrícola.

A carga seria dada em troca da compra das 100 mil toneladas de milho, avaliadas em cerca de R$ 100 milhões. O Irã é o quinto maior comprador do grão produzido no Brasil.
Image caption
Navios vão transportar 100 toneladas de milho para o país islâmico
O primeiro navio já foi carregado no porto de Imbituba, em Santa Catarina, e o segundo ainda aguarda para seguir até lá, e receber a outra metade da carga.

A Petrobras, entretanto, vem se negando a fazer o reabastecimento, alegando que pode ser alvo de punições de Washington. De acordo com a empresa, os navios estão na lista de entidades sancionadas pelos EUA.

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